terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Almeida Garrett, herói romântico



Na terça-feira de manhã decorreu no Auditório o primeiro seminário do ano letivo sobre autores portugueses, dando continuidade a uma iniciativa lançada em 2010 no âmbito da Rede de Bibliotecas de Caminha que tem trazido regularmente à nossa escola docentes da Universidade do Minho. Desta vez foi Almeida Garrett o escritor apresentado por Sérgio Paulo Guimarães de Sousa, Professor Auxiliar do Departamento de Estudos Portugueses e Lusófonos do Instituto de Letras e Ciências Humanas. O Professor Sérgio Sousa tem uma predileção por autores oitocentistas, oscilando entre dois amores: Camilo Castelo Branco – infelizmente hoje afastado dos programas - e Almeida Garrett, autor de leitura obrigatória no 11º ano de escolaridade com Frei Luís de Sousa.
Após uma dissertação introdutória sobre o significado da literatura e a importância da leitura - "um ato de resistência" num tempo, que é o nosso, de poucos silêncios -, o docente da UM contextualizou a época de Garrett, herói romântico do liberalismo português, antes de abordar a sua obra, inovadora no tratamento da língua, nas temáticas e no formato literário. Bons exemplos disso mesmo são o dificilmente classificável As Viagens na Minha Terra (1846) - "novela... romance... crónica?" - e a coletânea de poesia Folhas Caídas (1853), transbordando da adoração do dandi Garrett pela viscondessa da Luz, a musa a quem escreveu intemporais cartas de amor (algumas delas lidas pelo conferencista). Mas Garrett também ficou para sempre associado ao teatro português, como seu regenerador e dramaturgo, com destaque para Frei Luís de Sousa (1844), uma tragédia de arquétipo clássico contaminada pela mentalidade romântica, também no historicismo (a ação situa-se na época do domínio filipino). Uma obra prima que, para ser cabalmente compreendida, precisa de uma segunda leitura à procura das "interrogações profundas que ainda são as nossas", como salientou no final da sua palestra o Professor Sérgio de Sousa. Entre testes e exames, terão os nossos alunos, e os seus professores, tempo e vontade para a fazer?

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